Queda nos juros impulsiona compra da casa própria
Financiamentos de imóveis dobraram em 2006. Expectativa para 2007 é de mais de R$ 10 bilhões em empréstimos.
Ligia Guimarães, Do G1, em São Paulo
O ano de 2007 promete boas oportunidades para quem quer financiar a casa própria. A previsão da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) é de que os recursos de poupança destinados ao financiamento de imóveis ultrapassem R$ 10 bilhões este ano. Em 2006, foram R$ 9,3 bilhões, 4,8% a mais do que em 2005. Só a Caixa Econômica Federal está reservando para o próximo ano pelo menos R$ 12 bilhões para financiamento de imóveis.
O número de financiamentos da casa própria cresceu 108% no ano passado, em relação a 2005. De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), os juros dos bancos estão em cerca de 14%. Em alguns casos, caíram até 6% em quatro meses.
No ano passado, o governo anunciou uma série de medidas de incentivo ao setor imobiliário. Entre elas, tornou facultativo o uso da TR, índice que corrige depósitos de poupança, nos financiamentos habitacionais. O pacote tornou possível para os bancos oferecerem financiamentos com parcelas fixas, o que facilita a vida na hora de planejar os gastos no longo prazo.
Segundo o superintendente técnico da Abecip, José Pereira Gonçalves, os bancos vêm flexibilizando as regras para conceder crédito imobiliário desde 2002, e o movimento deve continuar em 2007. “Hoje os recursos estão mais acessíveis para todas as faixas da população”, diz.
Classe média em alta
“Com a superoferta de crédito e a queda dos juros, tudo fica a favor da maior produção de imóveis para a classe média, que foi muito mal atendida nos últimos cinco anos”, explica o diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia.
Nos últimos tempos, a euforia das construtoras em lançar apartamentos e casas em condomínios de alto padrão - com preços que vão de R$ 300 mil até R$ 16 bilhões - acabou por deixar de lado os consumidores que procuram imóveis mais baratos.
Segundo Pompéia, as empreendedoras e construtoras já começaram em 2006 a voltar as atenções para construir imóveis na faixa dos R$ 60 mil a R$ 150 mil: a diferença é que este ano os juros devem cair ainda mais. A expectativa é de que a taxa de financiamento dos bancos chegue a 7% ao ano.
Outra boa previsão do consultor para 2007 é a de que deve aumentar o prazo de financiamento dos bancos. “É inevitável que os bancos comecem a aumentar os prazos máximos de 20 para 25 anos. Hoje em dia é um bom negócio inclusive para o banco”, diz.
Para o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, a expansão do prazo deve render bons frutos para o mercado. “Gente para comprar tem. Se estender o prazo, cai o valor da prestação e inclui mais gente no mercado”, diz. “Se a parcela for pequena, ninguém mais vai querer pagar aluguel. Vai ser mais acessível financiar”, diz.
Com informações do Jornal Hoje e da Agência Estado.
Fonte: G1.com.br
Data: 05/01/07