Gatti Imóveis - Pereira Barreto

Permuta movimenta setor imobiliário

Famílias estão negociando a residência própria para adquirir imóveis maiores ou que atendam melhor suas necessidades

 

Lucien Luiz

 

O mercado imobiliário em Bauru está em alta. A venda de imóveis, principalmente de casas, chegou a crescer até 40% nos últimos meses em algumas corretoras.

Grande parte dos clientes, conforme as imobiliárias, vende o imóvel onde mora para comprar outro. Em conseqüência dessa prática, o pagamento à vista tem sido comum entre os negócios.

A tendência em Bauru confirma a pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP), que revelou crescimento na comercialização em todo o Estado de São Paulo. O levantamento consultou 1.534 imobiliárias de 37 cidades, incluindo a Capital, e constatou aumento de 0,9% no índice estadual de vendas, na comparação de maio com abril. O percentual equivale a 1.038 casas e apartamentos vendidos.

A delegada do Creci-Bauru Wânia Pôrto, que também gerencia uma corretora na cidade, diz que desde o começo do ano a venda de imóveis no estabelecimento foi 15% maior que o desempenho registrado no mesmo período de 2005. Segundo ela, muitas pessoas que fecharam o negócio deixaram uma casa própria menor para adquirir outra maior. Em geral, os imóveis mais procurados são aqueles cujos valores de venda variam entre R$ 30 mil e R$ 200 mil.

“Os clientes costumam quitar o imóvel com recursos próprios e permuta. Com um pouco de dinheiro e mais a casa que têm, compram a nova moradia”, comenta a delegada. Ainda conforme ela, os casais são os principais negociadores. Parte deles, deixa o aluguel.

“As linhas de crédito estão mais acessíveis e menos burocráticas, o que tem incentivado a compra também. Sem falar na economia do País, que está aquecida e acaba refletindo no mercado de imóveis”, analisa Pôrto.

O corretor de vendas Júlio César Dellasta também percebe que a permuta de casas é uma prática comum na clientela da imobiliária onde trabalha. Segundo ele, a maior parte dos clientes é formada por casais que já têm filhos adultos. “Os casais, cujos filhos já estão crescidos e deixando a família, optam por trocar a casa grande por uma menor justamente para evitar morar num imóvel muito grande”, acrescenta.

Ao mês, Dellasta afirma que a corretora comercializa média de 10 imóveis, principalmente na zona sul de Bauru, onde a concentração de apartamentos e casas para vender e alugar é maior.

O corretor também ressalta que os imóveis têm sido opção de investimento para muita gente. Enquanto alguns deixam uma casa grande para morar em outra de área menor, muitos adquirem imóveis maiores para aumentar o valor do patrimônio.

Em comparação aos meses de junho e julho do ano passado, Dellasta contabiliza que o volume de vendas de imóveis na corretora expandiu cerca de 40%. O mesmo percentual, diz ele, é comercializado à vista, sendo 50% através de permuta e 10% de financiamento.

Ainda segundo ele, as compras à vista ocorrem com imóveis de até R$ 100 mil. Além desse valor, as negociações são fechadas através de permuta. Em relação às casas e apartamento financiados, em 80% dos casos o custo não ultrapassa R$ 35 mil.

Dellasta diz que o mercado imobiliário está sempre ativo, porém, acredita que se o governo federal investisse mais na construção civil, a situação poderia estar melhor.

O mercado imobiliário funciona como se fosse uma conseqüência da construção civil. O governo precisa financiar a construção civil para aquecer nosso mercado. Teríamos mais ofertas com melhor preço e, conseqüentemente, condição de compra maior para a população”, considera.

Na imobiliária de Roberto Lima, as vendas de imóveis cresceram 12% de janeiro a julho deste ano sobre o mesmo período de 2005. A permuta, no entanto, não corresponde à forma mais comum de negociação. Atinge apenas 10% das vendas em conjunto com os consórcios. A maioria, cerca de 60%, financia e, para diminuir o valor e o número das parcelas, faz o resgate do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Conforme ele, cerca de 30% dos pagamentos são à vista.

“As casas de maior saída estão na faixa de R$ 80 mil a R$ 100 mil. Muita gente, também, vende uma residência própria para comprar outra, em geral maior”, comenta.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru

Data: 21/jul/06


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